Ciclistas protestam por mais infraestrutura após acidente fatal no centro

Centenas de ciclistas tomaram as ruas do centro de São Paulo na última sexta-feira em um protesto que misturava luto e indignação. O gatilho foi a morte de Rodrigo Andrade, 34 anos, atropelado por um caminhão enquanto pedalava na Avenida Paulista na última segunda-feira — o terceiro ciclista morto na cidade em menos de um mês.

Com bicicletas decoradas com flores e faixas pedindo "Mais ciclovias, menos mortes", os manifestantes percorreram um trajeto de 12 quilômetros até a Câmara Municipal, onde entregaram um abaixo-assinado com mais de 50 mil assinaturas exigindo ação imediata da prefeitura.

"O Rodrigo era pai de dois filhos. Saiu para trabalhar e não voltou. Isso não pode continuar acontecendo", disse Ana Paula Andrade, irmã da vítima, que participou do protesto com a família.

São Paulo tem hoje 700 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, mas ciclistas e especialistas dizem que a rede é fragmentada, mal sinalizada e frequentemente invadida por veículos motorizados. A cidade tem uma das maiores frotas de bicicletas do país, com estimativas que apontam para mais de 3 milhões de ciclistas regulares.

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito prometeu apresentar em 30 dias um plano de expansão da infraestrutura cicloviária. Mas ativistas dizem que promessas já foram feitas antes sem resultado concreto.

"Toda vez que um ciclista morre, a prefeitura promete agir. Depois de algumas semanas, tudo esquece. Não queremos mais promessas, queremos obras", disse Juliana Costa, coordenadora do coletivo Pedala SP.

T
Tatiana Freitas
Jornalista urbana, cobre mobilidade, habitação e direito à cidade em São Paulo.