O que era um galpão industrial abandonado no bairro da Mooca, em São Paulo, se transformou nos últimos dois anos em um dos espaços culturais mais vibrantes da zona leste da cidade. O Coletivo Mooca Viva ocupou o imóvel em 2024 e, desde então, construiu um centro comunitário que atende mais de 500 pessoas por semana.
O espaço oferece aulas de música, dança, artes visuais e teatro para crianças e adolescentes da região. Há também uma biblioteca comunitária com mais de 3 mil títulos, um estúdio de gravação aberto a músicos independentes e uma horta urbana que produz alimentos para as famílias do entorno.
"Quando chegamos aqui, o galpão estava tomado pelo mato e pelo lixo. Levamos meses limpando e reformando. Cada tijolo foi colocado por voluntários do bairro", conta Marcos Vinicius Santos, 29 anos, um dos fundadores do coletivo.
A iniciativa nasceu da frustração de um grupo de artistas e educadores com a falta de espaços culturais acessíveis na zona leste. A região, que concentra quase 4 milhões de habitantes, tem muito menos equipamentos culturais per capita do que os bairros mais ricos da cidade.
O coletivo opera em uma zona cinzenta legal: o imóvel pertence a uma empresa que está em processo de falência, e a ocupação não tem respaldo jurídico formal. Mas até agora não houve tentativa de reintegração de posse, e os moradores do bairro apoiam ativamente o projeto.
Recentemente, o coletivo recebeu um prêmio de R$ 80 mil do Fundo Municipal de Cultura, o que vai permitir a contratação de professores e a manutenção das atividades pelos próximos dois anos.